Ofício e Arte

Tutorial – Trabalhando com encáustica

Múmia Fayum

Um dos retratos em múmias de Fayum, Egito, século 1a.C.

A encáustica é uma técnica milenar, datando de pelo menos 3000 anos. A palavra tem origem no termo grego enkaustikós, que significa “queimar”. Nesta técnica, utilizamos cera de abelha derretida e pigmentos para pintar sobre uma superfície preferencialmente rígida, obtendo resultados muito interessantes. O meu  trabalho estava parado durante muito tempo, finalmente encontrei inspiração para terminá-lo.

Painel em madeira

Trabalhando com marcenaria para preparar o painel: virola fina e ripas de pinus. Até que ficou bem decente…

Esse é meu sofisticadíssimo arsenal para trabalhar com encáustica. Eu sabia que essas latas de manteiga um dia seriam úteis…

Cobri o painel com uma folha de papel de bananeira, colado com cola de PVA (aquela famosa, de rótulo azul) antes de começar a aplicar a cera.

Agora acontece um grande lapso temporal, porque eu não tirei fotos do processo todo, sorry! De qualquer forma, usei a cera na cor natural, sem pigmentos, para cobrir todo o papel, e usei a cera para colar uma fotocópia de uma imagem de Inanna que encontrei na internet. Reforcei os contornos com Neocolor II preto (é um giz pastel oleoso solúvel em água da Caran D’Ache, maravilhoso!)  e desenhei uma cobra com o verde (Bright Green 720) e com o preto. Colei também um pedaço de uma página de um livro de Direito, só porque queria a mancha da tipografia. É bom lembrar que, a cada camada, é preciso aquecer a cera. Eu uso uma pistola de ar quente, mas também dá para usar um ferro de passar roupa velho (já conto como escrevi as palavras):

Desenhei uma forma circular para representar a lua, e cobri com folha de prata, também colada com a cera derretida.

Em seguida, usei carvão vegetal e os Neocolor II Prussian Blue e Payne’s Gray para dar uma corzinha. Depois, ar quente para fixar tudo.

Então, as palavras. Eu cismei que tinha que deixá-las em baixo relevo, para poder passar uma tinta por cima e realçá-las. Parte da culpa de eu ter demorado tanto para terminar o quadro foi disso, porque eu ainda não tinha atinado em como fazer isso. Ai, fui pra Nova York e encontrei um pirógrafo gracinha que, achei, daria conta do recado:

Ele tem até umas letras, todas em latão (eu acho), que são muito bonitinhas:

Acontece que não deu certo. Acho que a camada de cera teria que ser bem mais espessa para que eu conseguisse que as letras ficassem gravadas nela. Então, apelei para os meus velhos carimbos de letras, daqueles bem simplesinhos, brinquedo de criança, mesmo. Usei também a StazOn, tinta poderosa, que gruda em tudo. Depois, reforcei algumas das palavras com o Neocolor II preto, e escrevi a palavra “Inanna” com ele também. Ficou assim:

Uma última passada do ar quente para uniformizar e fixar tudo, e achei que tinha alguma coisa faltando. Usei duas chaves da minha coleção, um pedaço de fio de cobre, e fiz o desenho de parte de um labirinto com o giz pastel sépia, e voilá!

Eu gostei! Se quiser tirar dúvidas ou saber mais sobre a técnica, entre em contato comigo clicando aqui.

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Publicado às 03/07/2012 por em Tutorial e marcado , , .

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